domingo, 5 de junho de 2011

CIÚME (TEXTO FINAL)

Segue, abaixo, o texto final da esquete "Ciúme", conforme opção de final escolhida pela Lili (Lilian Luchesi), dentre as duas opções de final apresentadas (e adaptadas às especificidades da peça "Além de Nelson. A vida como ela foi. A vida como ela é"), para a finalidade de contribuição com este Blog.


CIÚME


Autor: Elton Rocha


Personagens:

Clarice
Agenor
Dalila
Durval

Sinopse:

Clarice é uma mulher que, apesar de gozar de uma boa vida material, proporcionada por seu marido Agenor (um jornalista conceituado), vive insatisfeita por seu marido não demonstram sentir qualquer ciúme por ela. A melhor amiga de Clarice é Dalila, uma solteirona convicta que optou por manter-se donzela, por considerar os homens em geral uns calhordas. Sem mais suportar a completa falta de ciúme de Agenor, Clarice resolve ceder às investidas de Durval, um colega de trabalho de seu marido e que vive a lhe cortejar.

Esquete:

CENA I:

(lanchonete onde Clarice e Dalila conversam)

CLARICE: Não tem jeito Dalila, o Agenor não demonstra nenhum ciúme de mim. Acho que ele não me ama mais!

DALILA: O que é isso amiga, vai saber é apenas uma fase. Por certo ele confia tanto em ti, que nem liga se algum outro homem te lança olhares de desejo.

CLARICE: Pois pra mim quem ama tem ciúme da pessoa amada. Tem alguma coisa errada. O Agenor deve ter arranjado uma amante no trabalho ou se lá onde!

DALILA: Vai com calma Clarice. Teu marido faz tudo pra você. Te dá do bom e do melhor. Não põe tudo a perder por causa dessa tua cisma.

CLARICE: Bom, disso eu não posso reclamar. Ah, mas que pelo menos um “tiquinho” assim de ciúme tem que ter na relação, isso tem que ter sim!

DALILA: E aquele sujeito que andava te cortejando, ainda continua no teu pé?

CLARICE: Menina, nem te conto. Ele agora deu pra dizer uns versinhos quando me encontra!

DALILA: Sujeitinho cara de pau esse, heim! Ele não sabe que tu és casada?

CLARICE: Sabe sim. E o que é pior, ele é colega de trabalho do meu marido!

DALILA: O que? O sujeito trabalha com o Agenor e fica dando em cima de ti? Mas como essa “homaiada” é mesmo sem vergonha! É por isso que eu jurei não querer saber de homem nenhum na minha vida. São todos uns calhordas. O que era fiel, com certeza nasceu morto!

CLARICE: Ué, mas você não acabou de insinuar que o Agenor é um santo?

DALILA: Ah, mas teu marido é uma exceção. Aliás, o único homem que eu conheço que não vive pensando somente com a “cabeça de baixo”!

CLARICE: Ora bolas, tu falando assim, quem vai ficar com ciúme sou eu!

DALILA: Ih, lá vens tu com essa estória de ciúme de novo? Mas, voltando ao safado do colega de trabalho do teu marido, como é mesmo o nome do indivíduo?

CLARICE: Durval. E olha, até que ele é bem apanhado viu. Mas eu não quero nada com ele não. Já não mandei ele ir “passear”, pra ver se o Agenor demonstra ciúme por ter um outro homem me cortejando. Mas até agora ó, (desconsolada) o Agenor não tá nem aí!

DALILA: Mas tu não disseste ao Agenor que esse tal Durval tá te paquerando, disseste?

CLARICE: Não mencionei o nome do Durval! Só disse que tem um homem me cortejando, mas que não sei quem é. Tenho medo que o Agenor faça uma besteira contra o sujeito e vá parar na cadeia. (com ar de sonhadora) Apesar de que isso seria bastante romântico. (suspira) Uma verdadeira prova de amor.

DALILA: O quê? Teu marido ir para a prisão por ter matado alguém por ciúme de você? Estas maluca, Clarice? Mandas esse tal Durval pras “cucuias”, isto sim!


CENA II:

(via pública. Clarice caminha na calçada, já próxima de sua residência, quando é abordada por Durval, que a seguia pela rua)

DURVAL: “Ó pequena lindíssima. Musa da minha inspiração. Se eu pudesse te cobria de ouro. Só pra ter teu coração”.

CLARICE: (fingindo irritação) Já te disse que não sou mulher de indecências. Sabes que sou casada, não sabes?

DURVAL: Sei, com aquela lesma do Agenor, que não dá a atenção devida a uma “Deusa” como tu!

CLARICE: Não falas assim do meu marido não! Se ele te ouve falando assim, te parte a cara!

DURVAL: (dá uma gargalhada) Aquele lá, duvido. Não é homem pra tanto.

CLARICE: (chegando na porta de sua casa e se fazendo de irada) Tu és mesmo muito atrevido, heim! Pois fiques sabendo que, qualquer dia desses, meu marido vai te dar um tiro na cara. Ele só ainda não fez isso, pois eu ainda não lhe contei que tu és o autor desses gracejos, por receio de que ele te mate e vá parar atrás das grades. Pois saibas que ele morre de ciúme de mim! (e adentra em sua casa).

DURVAL: (sorridente) Tá no papo! Essa tá no papo!


CENA III:

(interior da casa de Clarice e Agenor. Clarice entra e encontra Agenor escrevendo em sua máquina de datilografar)

CLARICE: Oi amor (beija Agenor no rosto). Sentiu saudades de mim?

AGENOR: (indiferente) Senti, Clarice, senti.

CLARICE: Isso lá é maneira de recepcionar a sua linda esposa?

AGENOR: Sabes o que é Clarice? É que eu estou cheio de trabalho pra fazer. Coisa que não deu pra terminar na redação do jornal e tem que estar pronto pra amanhã bem cedo. Então, desculpe (se levanta e dá um beijo no rosto de Clarice), mas eu tenho que trabalhar a noite toda, tá (sentasse novamente na máquina e volta a datilografar).

CLARICE: Sabes aquele sujeito que vive me seguindo, me dizendo aqueles versinhos, de quem eu te falei, sabes?

AGENOR: (indiferente) Sei.

CLARICE: Me abordou na rua novamente hoje, com os mesmos gracejos.

AGENOR: (atento mais ao trabalho do que à mulher) Tá bom, Clarice, fazes o seguinte. Dá próxima vez que esse sujeito aparecer, aproveitas e vê se ele quer, também, ajudar a pagar pelas despesas que tu fazes, comprando tudo o que verdes pela frente.

CLARICE: (ofendida) Ai Agenor, isso é coisa de se pensar num momento desses. Cadê a sua reação de macho? O sujeito tá dando em cima de mim e você ta aí, preocupado é com o pagamento das contas. (chorosa) Pelo visto, não tens mais um pingo de ciúme de mim. (gritando) Pelo visto, tu não me amas mais, seu “bundão”! (e, nervosa, se retira para seu quarto).

AGENOR: (Para um instante de datilografar, balança a cabeça e, em seguida, retoma seu trabalho).


CENA IV:

(salão de beleza, onde Clarice e Dalila cuidam da beleza - é claro)

DALILA: Que cara é essa amiga? Até parece que não dormiste a noite!

CLARICE: E não dormi mesmo. Sequer preguei o olho!

DALILA: Por quê, menina? Vais me dizer que ainda é por causa daquela estória da falta de ciúme do teu marido por ti?

CLARICE: É por isso mesmo. E dessa vez ele passou dos limites!

DALILA: Lá vens tu de novo, com essa ladainha!

CLARICE: Acreditas, Dalila, que o Agenor me mandou perguntar àquele sujeito que me corteja...

DALILA: Sei, o tal do Durval.

CLARICE: Isso. Se o mesmo quer ajudar a pagar pelas compras que eu faço!

DALILA: Xiii, mais um futuro falido.

CLARICE: Não tô brincando, Dalila! Ah, mas dessa vez basta, o Agenor vai ver só. Vou aprontar uma que ele vai se arrepender amargamente por não cuidar da mulher que tem!

DALILA: No que estas pensando, Clarice?

CLARICE: Ah, tu saberás Dalila, tu saberás.


CENA V:

(casa de Clarice e Agenor. Agenor chega em casa, ao retornar do trabalho e encontra, sobre a máquina de escrever, um bilhete de Clarice)

AGENOR: (lê o bilhete de clarice) “Agenor. Aceitei o convite daquele homem que vive a me cortejar e fui para a casa dele, que fica próxima à nossa casa. Não quis te dizer antes, mas este meu cortejador é o teu colega de trabalho, o Durval. Me desculpe, mas não sou mulher que aceita ser tratada com a tamanha indiferença que demonstras por mim. Clarice”.

AGENOR: (furioso) Miserável. Depois de toda a minha dedicação, de todo o meu amor, me apunha-la pelas costas! Mas isso não vai ficar assim! (gritando) Isso não vai ficar assim! (e sai em direção à casa de Durval).


CENA VI:

(casa de Durval. Clarice e Durval estão sentados no sofá da sala, quando Agenor adentra o local)

AGENOR: (raivoso) Então, é mesmo tudo verdade!

CLARICE: Agenor? Tu vieste!

DURVAL: Não é o que estás pensando!

AGENOR: Não? Não é o que eu estou pensando? É o que então?

CLARICE: (indo na direção de Agenor) Meu amor, eu posso explicar!

AGENOR: Não quero saber das tuas explicações!

CLARICE: Tudo não passou de um plano meu, para saber se, na verdade, ainda sentias ciúme de mim! E vindo aqui, demonstrastes que ainda se importa comigo! Que tu me amas! (tenta abraçar Agenor que se esquiva e a empurra).

AGENOR: Eu não estou decepcionado contigo, Clarice. Mas sim com este traíra do Durval!

CLARICE: Mas, como assim?

AGENOR: Sim, com este ingrato. Que depois deu ter dado a ele todo o meu amor, me traiu pelas costas!

DURVAL: (irritado e se aproximando de Agenor) Depois de teres me dado todo o teu amor uma pinóia! Quem entregou o coração inteiro pra ti fui eu! Crente nas tuas promessas de que largarias esta sirigaita (aponta para Clarice), para ficares somente comigo! Seu mentiroso! Foi por isso que resolvi seduzir a tua mulher. Só pra tu sentires o gosto do que é viver assim, com os restos, (gritando) com os restos!

AGENOR: Eu te disse que não era tão simples. Mas que, assim que fosse possível, eu a abandonaria. Pra que pudéssemos, finalmente, vivermos juntos nosso amor. Só tu e eu!

(Clarice, nesse instante, chocada de surpresa e desgosto, chora e retira-se de cena).

DURVAL: Chega, não quero mais ouvir as tuas promessas vãs! Já me vinguei de ti! Seu corno!

AGENOR: (dá um tapa no rosto de Durval) Eu deveria é te matar!

DURVAL: Então matas, se tu tens coragem!

AGENOR: (saca um revólver e aponta, nervoso, para Durval) Não posso. Porque eu te amo!

(Durval abraça Agenor pelas costas)


FIM

sábado, 29 de janeiro de 2011

MEIO FIO e CIÚME

OLÁ LILI, GELSON e GALERA DESTE BLOG.

SEGUE, ABAIXO, O TEXTO (REVISADO) DA ESQUETE "MEIO FIO".

ALÉM DISSO, ENVIO-LHES, TAMBÉM A SEGUIR, UMA ESQUETE QUE CRIEI E ACHO QUE FICOU BOA, CHAMADA "CIÚME" (E CUJO FINAL GOSTARIA DE DECIDIR COM A TURMA AQUI NO BLOG EM AULA LÁ NO CURSO ATOR - DENTRE AS DUAS OPÇÕES QUE INDICO AO FINAL DA ESQUETE-, SE A LILI E O GELSON CONSIDERAREM CONVENIENTE QUE A MESMA ESQUETE FAÇA PARTE DO ESPETÁCULO).

UM ABRAÇO A TODOS

ELTON


MEIO FIO


Personagens:

Claudomiro
Celeste
Humberto
Pereira

Sinópse:

Claudomiro é um motorista de ônibus frustrado e pobre, que gasta todo o seu parco dinheiro no jogo e com bebidas. Sua esposa, Dona Celeste, é uma dona de casa de poucos atrativos físicos, que sofre com os vícios do marido, mas o tolera apesar de tudo.
Em mais uma noite de jogatina após o trabalho, Claudomiro (após perder o dinheiro do aluguel do imóvel onde vive com Celeste, num jogo de cartas com amigos) confere seu bilhete da loteria, ao chegar em casa, ocasião em que acontece o inesperado: ele possui o bilhete premiado. Claudomiro e sua mulher ficam felizes pelo ocorrido, mas, num ato de ganância e frieza, Claudomiro resolve abandonar Celeste ficando com o prêmio somente para si. Todavia, ao sair para comemorar, Claudomiro é atropelado pela manhã por um ônibus e tem seu corpo encontrado por seus dois companheiros de jogo, Humberto e Pereira, indo este último até a casa de Claudomiro, avisar Dona Celeste do trágico ocorrido, a qual corre em direção ao corpo do marido. Chegando ao local do atropelamento, Celeste sofre a perda do esposo, chora, se desespera, mas então, ela vê a chance de se tornar uma mulher rica e independente. Ela pega o bilhete do bolso do marido ingrato e vira-se em direção aos dois amigos dele, revelando o lado frio de toda mulher desprezada.

Esquete:

CENA I:

(bar com uma mesa de jogos, carteado, bebidas na mesa, Claudomiro e seus dois amigos, Humberto e Pereira se preparam para uma partida de truco)

HUMBERTO: (bate a mão com força e violência na mesa) Vamos começar logo esse jogo, que hoje eu quero ganhar muito dinheiro pra poder “encher a cara” !

PEREIRA: (bêbado) É isso aí. E até o dia raiar !

CLAUDOMIRO: (distribuindo as cartas) Ah, vocês é que são felizes. Podem beber e curtir a noite inteira, sem terem que dar satisfação pra mulher nenhuma, sem terem ninguém pra “encher o saco”, te cobrando se as contas estão pagas !

PEREIRA: (observando suas cartas) Ora pipocas, quem é que mandou te amarrares tão cedo? E ainda mais com uma mulher como a tua Celeste, feíssima! Bem, pelo menos, corno tu nunca serás (há,há,há).

HUMBERTO: Que nada, Pereira, mulher quando quer botar chifre, ninguém segura, pode ser feia ou bonita, não tem essa, enfeitam a testa do coitado do marido pra valer !

CLAUDOMIRO: Vamos jogar ou não vamos? Afinal, eu vim aqui pra ganhar dinheiro. Tô sentindo que hoje é meu dia de sorte!

HUMBERTO: É isso mesmo, vamos jogar logo. Mas hoje a sorte tá é do meu lado!

CLAUDOMIRO: Isso nós já vamos ver, Humberto.

PEREIRA: (animado) TRUCOO !!

HUMBERTO: (se gabando) Hahá, eu peço 6!

CLAUDOMIRO: Eu aposto todo o dinheiro que tenho! Essa é batata que ganho! 9 !!

(Humberto e Pereira descartam suas cartas)

HUMBERTO: Joga logo Claudomiro !

PEREIRA: Vai homem !

(Claudomiro descarta suas cartas)

HUMBERTO: Ganhei, ganhei (há,há,há,há) !

CLAUDOMIRO: (irritado) Cecete! Perdi todo o dinheiro do meu aluguel !

PEREIRA: Apostaste todo o dinheiro do teu aluguel? É hoje que a feiosa da tua mulher te mata !

HUMBERTO: (sorrindo) Bom, chega por hoje, já ganhei o suficiente pra curtir a noite inteira.

CLAUDOMIRO: Não, vamos jogar mais uma rodada !
PEREIRA: Tô fora, já perdi toda a merreca que eu tinha.

HUMBERTO: Pra mim também já chega. Como disse, a sorte hoje tá do meu lado, mas não é bom abusar dela !

CLAUDOMIRO: (aflito) Não pessoal, eu imploro. Vamos jogar mais uma partida. Preciso recuperar o dinheiro do meu aluguel. Se não a Celeste me capa !

HUMBERTO: Já te falei que por hoje chega, Claudomiro. Além disso, pelo que eu saiba, tu não tens mais nada pra apostar !

CLAUDOMIRO: (desesperado, procura pelo corpo algo de valor, até encontrar a aliança em seu dedo a arrancando) Tenho sim, a minha aliança de casamento !

HUMBERTO: (arranca a aliança da mão de Claudomiro e a morde) É banhada a ouro, vale uma ninharia ! (joga a aliança na direção de Claudomiro e vira as costas a este, na direção da saída do bar, seguido por Pereira)

CLAUDOMIRO: (ainda mais desesperado) Amigos, pelo amor de Deus, não façam isso comigo !

PEREIRA: (se volta para Claudomiro) Vai pra tua casa Claudomiro, a sorte é assim, que nem mulher, num dia ela te sorri, noutro ela te abandona !


CENA II:

(casa de Claudomiro, com sua mulher Celeste angustiada esperando por ele. Claudomiro entra)

CELESTE: (irritada) Isso são horas? Onde estavas? Bebendo de novo? Jogando com aqueles desocupados?

CLAUDOMIRO: (nervoso) Tava nada mulher! Fui só tomar uma cerveja com meus amigos! Que saco!

CELESTE: Uma cerveja? Estás cheirando a cachaça pura! E o dinheiro do aluguel?

CLAUDOMIRO: (se esquivando, tentando disfarçar a apreensão) Joguei só uma partidinha de cartas, mas acabei perdendo e vê se não me amolas !

CELESTE: (desesperada) Uma partidinha???? Vais me dizer que perdeste todo o nosso dinheiro??? A gente é pobre Claudomiro, mal tem onde cair morto e tu foste jogar uma partidinha? Já é o segundo mês de aluguel que agente atrasa! Desse jeito, vamos ser despejados!

CLAUDOMIRO: (sentando no sofá) Já chega, eu vou dar um jeito !

CELESTE: Jeito, que jeito, toda vez tu dizes a mesma coisa !

CLAUDOMIRO: Já disse que vou dar um jeito. (gritando) E chega de me amolar. Inferno !

(Celeste chora e vai para a cozinha enquanto Claudomiro assiste a TV)

(Apresentador da TV anuncia os números premiados da loteria)

CLAUDOMIRO: Meu Deus!!! Eu não acredito!!! É o meu número! Eu ganhei!!! Eu ganhei na loteria !!! Tô milionário !!!
(Celeste vem correndo da cozinha)

CELESTE: Como assim ganhaste??? Ganhaste o quê??

CLAUDOMIRO: Ganhei na loteria!!!! Eu tô rico!!!

CELESTE: (emocionada) Meu Deus, agora nossa vida vai mudar, finalmente!!!

CLAUDOMIRO: “Nossa” vida uma pinóia! A “minha” vida vai mudar e pra “muito” melhor! A partir de agora vou poder fazer o que eu quiser, chegar a hora que eu quiser, beber o quanto eu quiser e ter as mulheres que eu desejar, as mais lindas mulheres e não esse “bagulho” que eu aturo a anos. É isso mesmo, meus amigos é que estão certos, tu és feia, feíssima. Ainda bem que não preciso mais de ti ! Tô livre e rico, (sorrindo) vou comemorar a noite inteira (e sai de casa para comemorar)

CELESTE: (chora compulsivamente deitando-se no sofá da sala, enquanto a luz do palco se apaga)


CENA III:

(casa de Claudomiro - luz do palco se acende. Celeste continua deitada no sofá da sala, desesperançada após uma noite inteira de choro. Alguém bate na porta da casa. Celeste se levanta, desanimada e vai atender à porta)

PEREIRA: Bom dia, Dona Celeste ?

CELESTE: O que viestes fazer aqui a esta hora, Pereira? Veio zombar de mim?

PEREIRA: Zombar? É claro que não? Eu jamais faria isso numa ocasião dessas!

CELESTE: Ah não? Então viestes fazer o que? Vais me dizer que não passaste a noite bebendo e comemorando com aquele ingrato do Claudomiro?

PEREIRA: Não sei do que a senhora está falando. O que vim lhe avisar é que seu marido passou dessa para uma melhor!

CELESTE: Exatamente. É o que estou lhe dizendo. Aquele desgraçado está agora numa melhor. Numa bem melhor. E me deixou aqui sozinha, nessa vida miserável.

PEREIRA: Puxa, não sabia que o amavas tanto, ao ponto de querer ter morrido com ele!

CELESTE: Morrido? Mas do que é que estás falando?

PEREIRA: Que o seu marido, digo, finado marido, morreu a poucas horas atrás, atropelado por um ônibus no meio fio da Avenida Copacabana. Tava tão mamado que num viu o coletivo se aproximando e, ao tentar atravessar via, “BLUM”, morreu, morreu!

CELESTE: Ah, meu Deus!!! (faz que vai desmaiar e Pereira a segura) E onde ele está???

PEREIRA: Ainda tá lá no meio fio, aguardando o carro de cadáver.

CELESTE: (chorando) Me leve até ele, imediatamente!


CENA IV:

(na via pública - local do acidente)

PEREIRA: Tá ali, ó!!!

CELESTE: Meu Deus, como isso foi acontecer!!! Meu marido!!! Claudomiro, acorda Claudomiro!!! O que eu faço agora!!! O que vai ser da minha vida sem você!!! (nesse instante a fisionomia desesperada de Celeste muda, e ela procura o bilhete premiado nos bolsos de Marcos)

CELESTE: Aqui, achei! É, Claudomiro, se tá aí mortinho e eu aqui, vivinha! Quem é o “bagulho” agora? Heim? (chuta o corpo do morto) Quem é a feíssima? Seu desgraçado!!! Quem é que vai poder fazer o que quiser? Euzinha aqui! Pois agora eu estou rica e você, você tá morto nesse meio fio, pobre como sempre!

CELESTE: (vira-se para Humberto e Pereira) Quanto a vocês dois... Você (apontando para Humberto), esteja em minha casa em uma hora e você (apontando para Pereira), te quero em minha cama hoje à noite, ambos sóbrios. Porque agora, nunca mais homem nenhum me desprezará (abre um largo sorriso e sai rebolando entre os dois)

(Humberto e Pereira se olham e concordam com o pedido de Celeste)


FIM


CIÚME


Personagens:

Clarice
Agenor
Dalila
Durval


Esquete:

CENA I:

(supermercado, onde Clarice e Dalila fazem compras)

CLARICE: Não tem jeito Dalila, o Agenor não demonstra nenhum ciúme de mim. Acho que ele não me ama mais!

DALILA: O que é isso amiga, vai saber é apenas uma fase. Por certo ele confia tanto em ti, que nem liga se algum outro homem te lança olhares de desejo.

CLARICE: Pois pra mim quem ama tem ciúme da pessoa amada. Tem alguma coisa errada. O Agenor deve ter arranjado uma amante no trabalho ou se lá onde!

DALILA: Vai com calma Clarice. Teu marido faz tudo pra você. Te dá do bom e do melhor. Não põe tudo a perder por causa dessa tua cisma.

CLARICE: Bom, disso eu não posso reclamar. Ah, mas que pelo menos um “tiquinho” assim de ciúme tem que ter na relação, a isso tem que ter sim!

DALILA: E aquele sujeito que andava te cortejando, ainda continua no teu pé?

CLARICE: Menina, nem te conto. Ele agora deu pra dizer versinhos quando me encontra!

DALILA: Sujeitinho cara de pau esse, heim! Ele não sabe que tu és casada?

CLARICE: Sabe sim. E o que é pior, ele é colega de trabalho do meu marido!

DALILA: O que, o sujeito trabalha com o Agenor e fica dando em cima de ti! Mas como essa “homaiada” é sem vergonha mesmo. É por isso que eu jurei não querer saber de homem nenhum na minha vida, são todos uns safados. O que era fiel, com certeza nasceu morto!

CLARICE: Ué, mas você não acabou de insinuar que o Agenor é um santo?

DALILA: Ah, mas teu marido é uma exceção. Aliás, o único homem que eu conheço que não vive pensando somente com a “cabeça de baixo”!

CLARICE: Ora bolas, tu falando assim, quem vai ficar com ciúme sou eu!

DALILA: Ih, lá vens com essa estória de ciúme de novo? Mas, voltando ao safado do colega de trabalho do teu marido, como é mesmo o nome do indivíduo?

CLARICE: Durval. E olha, até que ele é bem apanhado viu. Mas eu não quero nada com ele não. Já não dei um “chega pra lá” nele pra ver se o Agenor demonstra ciúme por ter um outro homem me cortejando. Mas até agora ó, (desconsolada) o Agenor nem tá aí!

DALILA: Mas tu não disseste ao Agenor que esse tal Durval tá te paquerando, disse?

CLARICE: Não, não mencionei o nome do Durval! Só disse que tem um homem me cortejando. Tenho medo que o Agenor faça uma besteira contra o sujeito e vá parar na cadeia. Apesar de que isso seria bastante romântico. (com ar de sonhadora) Uma verdadeira prova de amor por mim.

DALILA: O quê? Teu marido ir para a prisão por ter matado alguém por ciúme de você? Estas é maluca Clarice. Mandas esse tal Durval “pras cucuias”, isto sim!


CENA II:

(via pública. Clarice caminha na calçada carregando suas compras, já próxima de sua residência, quando é abordada por Durval, que a seguia pela rua)

DURVAL: “Ó pequena lindíssima, musa da minha inspiração. Se eu pudesse te cobria de ouro. Só pra ter teu coração”.

CLARICE: (fingindo irritação) Já te disse que não sou mulher de indecências. Sabes que sou casada, não sabes?

DURVAL: Sei, com aquela lesma do Agenor, que não dá a atenção devida a uma “Deusa” como tu!

CLARICE: Não falas assim do meu marido não! Se ele te ouve falando assim, te parte a cara!

DURVAL: (dá uma gargalhada) Aquele lá, duvido. Não é homem pra tanto.

CLARICE: (chegando na porta de sua casa e se fazendo de irada) Tu és muito atrevido, heim! Pois fiques sabendo que, qualquer dia desses, meu marido vai acabar com a tua raça. Ele só ainda não fez isso, pois eu ainda não contei a ele que é você o autor desses gracejos, por receio dele te matar e ir parar atrás das grades, pois fiques sabendo que ele morre de ciúme de mim! (e bate a porta de casa na cara de Durval).

DURVAL: (sorridente) Tá no papo! Essa tá no papo!


CENA III:

(interior da casa de Clarice e Agenor. Clarice entra e encontra Agenor escrevendo em sua máquina de datilografar)

CLARICE: Oi amor (beija Agenor). Sentiu saudades de mim?

AGENOR: (indiferente) Senti, Clarice, senti.

CLARICE: Isso lá é maneira de recepcionar a sua linda esposa?

AGENOR: Sabe o que é Clarice? É que eu estou cheio de trabalho pra fazer. Coisa que não deu pra terminar na redação do jornal e tem que estar pronto pra amanhã bem cedo. Então, desculpe (se levanta e dá um beijo no rosto de Clarice), mas eu tenho que trabalhar a noite toda, tá (sentasse novamente na máquina e volta a datilografar).

CLARICE: Sabe aquele sujeito que vive me seguindo, me dizendo aqueles versinhos, de quem eu te falei, sabe?

AGENOR: (indiferente) Sei.

CLARICE: Me abordou novamente hoje, com os mesmos gracejos.

AGENOR: (atento mais ao trabalho) Tá bom, Clarice. Dá próxima vez que ele aparecer, aproveita e vê se ele vai querer ajudar a pagar por todas as despesas que tu fazes, comprando tudo o que verdes pela frente.

CLARICE: (ofendida) Ai Agenor, isso é coisa de se pensar num momento desses. Cadê a sua reação de macho. O sujeito tá dando em cima de mim e você ta aí, preocupado é com o pagamento das contas. (chorosa) Pelo visto, não tens mais um pingo de ciúme de mim. (gritando) Pelo visto, tu não me amas mais, seu “bundão”! (e, nervosa, se retira para seu quarto).

AGENOR: Para um instante de datilografar, balança a cabeça e, em seguida, retoma seu trabalho.


CENA IV:

(salão de beleza, onde Clarice e Dalila cuidam da beleza - é claro)

DALILA: Que cara é essa amiga. Até parece que não dormiu a noite?

CLARICE: E não dormi mesmo. Sequer preguei o olho.

DALILA: Por quê, menina. Vais me dizer que ainda é por causa daquela estória da falta de demonstração de ciúme do teu marido por ti?

CLARICE: É por isso mesmo. E dessa vez ele passou dos limites!

DALILA: Lá vens de novo com essa ladainha.

CLARICE: Acreditas, Dalila, que o Agenor me mandou perguntar àquele sujeito que me corteja...

DALILA: Sei, o tal do Durval.

CLARICE: Isso. Se o mesmo quer ajudar a pagar pelas compras que eu faço!

DALILA: Xi, mais um futuro falido.

CLARICE: Não tô brincando, Dalila! Ah, mas dessa vez basta, o Agenor vai ver só. Vou aprontar uma que ele vai se arrepender amargamente por não cuidar da mulher que tem!

DALILA: No que estas pensando, Clarice?

CLARICE: Ah, tu saberás Dalila, tu saberás.


CENA V:

(casa de Clarice e Agenor. Agenor chega em casa, ao retornar do trabalho e encontra, sobre a mesa da sala, um bilhete de Clarice)

AGENOR: (lê o bilhete de clarice) “Agenor. Aceitei o convite daquele homem que vive a me cortejar e fui para a casa dele, que fica próxima à nossa casa. Não quis te dizer antes, mas este meu cortejador é o seu colega de trabalho, o Durval. Me desculpe, mas não sou mulher que aceita ser tratada com a tamanha indiferença que demonstras por mim. Clarice”.

AGENOR: (furioso) Miserável. Depois de toda a minha dedicação, me apunhá-la pelas costas! Mas isso não vai ficar assim! (gritando) Isso não vai ficar assim! (e sai em direção à casa de Durval).


CENA VI:

(casa de Durval)

1º OPÇÃO PARA ESTA CENA FINAL: Clarice e Durval estão na cama, debaixo dos lençóis, quando Agenor adentra a casa e o quarto onde aqueles estão. Clarice, então, demonstra toda a sua satisfação por Agenor, finalmente, demonstrar ciúme por ela, revelando ter sido tudo um plano dela, Clarice, para despertar o ciúme de seu marido. Todavia, após a demonstração de aparente ciúme por sua mulher, Agenor revela estar indignado, na verdade, com a atitude de Durval, seu amante, o qual, por sua vez, informa que procurou seduzir Clarice para se vingar do amante Agenor, o qual não cumprira a promessa de se separar da esposa, para viver com Durval. Clarice, nesse momento, desmaia, enquanto Agenor e Durval esbofeteiam-se e ofendem-se, reiterada e reciprocamente, sem se importarem com a mulher desfalecida sobre a cama.

2º OPÇÃO PARA ESTA CENA FINAL: Clarice e Durval estão na cama, debaixo dos lençóis, quando Agenor adentra a casa e o quarto onde aqueles estão. Clarice, então, demonstra toda a sua satisfação por Agenor, finalmente, demonstrar ciúme por ela. No momento em que Agenor esta prestes a disparar sua arma contra os supostos amantes, Dalila revela ser ela quem se encontra na cama com Clarice e que tudo não passou de um plano desta última, afim de despertar o ciúme de Agenor por sua esposa, com o qual, a contra gosto, Dalila aceitou contribuir. Durval chega à sua casa nesse momento e, espantado com a cena que presencia em seu quarto, bem como raivoso por ver que não conseguira conquistar Clarice, exige que esta e seu marido Agenor saiam de sua casa, o que o casal atende, saindo do local de braços dados e apaixonados. Durval, então, vira-se para Dalila, semi-nua em sua cama e começa a se despir para possuí-la, ao que Dalila lhe avisa que não venha, pois ela ainda é uma donzela, posto nunca ter querido saber de homem algum na vida. Durval, no entanto, ainda mais excitado com tal declaração, pula sobre a cama e possui Dalila (embaixo dos lençóis), a qual, no início grita “não, não, não”, passando, a seguir, a gritar, “sim, sim, sim”.

FIM

quinta-feira, 20 de janeiro de 2011

Algumas frases e expressões de personagens Rodriguianos

A grande maioria de suas falas estão na 2ª pessoa do singular.
- Batata! (certeza)
- Batatíssima! (certeza absoluta)
- Evidente.
- É ou não é?
- Tinha uma beleza morbida.
- A pequena (mulher)
- Superlativos: Seríssima, Lindíssima...
- É espeto (foda, difícil)
- Ora bolas.
- Quero ser mico de circo se...
- Feitosa de corpo
- Papagaio!
- Carambolas!
- Tirar o pé da lama
- O gomem fiel nasceu morto
- De amargar
- Uma uva (preciosa)
- Bem apanhado
- Se era boa? Boníssima!
- Um brinco (linda)
Em breve mais frases...

sábado, 15 de janeiro de 2011

Deitaram-se finalmente. Olhos nos olhos. Neles, desejos contidos se entremeavam a pensamentos luxuricos. Aos montes. Era o momento. Beijos, mordidas, carícias eram inevitáveis;entre quatro paredes, tudo vale - pensou ele. Um ardor percorria seus corpos ao mesmo tempo que descobriam incalculáveis prazeres. Ela se entregara. Tinham movimentos sincronizados, como um balé russo. Era a perfeição. Subitamente ela para. O olha nun sorriso cínico e dispara docemente: não estou com vontade; e vira-se decidida. ele atônito, não retruca. apenas deita-se imóvel, fixado no nada, enquanto ela se deliciava com a cena...

quinta-feira, 13 de janeiro de 2011

"Não tenhas ciúmes de tua mulher para que ela não se meta a enganar-te com a malícia que aprender de ti."

terça-feira, 11 de janeiro de 2011

É casado, e daí?

Não foi do sujeito perverso aí do lado que elaborou, mas a frase tem lá sua "pegada" Rodriguiana:

"Até quem é casado sonha encontrar alguém".

Ou vai dizer que não?!

segunda-feira, 10 de janeiro de 2011

Filme: Irreversível

Aqui estamos no nosso espaço colaborativo! Sábado comentei de um filme - Irreversível. E, já que estamos querendo colocar na peça o final no começo e vice-versa, nada mais sugestivo que esse filme. Os créditos finais é a primeira cena do filme. Não pretendo me alongar. Prepare o estômago para o começo do filme. Segue o trailer:



"Só o inimigo não trai nunca". Nelson Rodrigues

sábado, 8 de janeiro de 2011

Sou um menino que vê o amor pelo buraco da fechadura.

Sexta-feira. Noite dos pecados. Período - do dia - em que se inicia o desejado e profundo (se é que me entendem) ritual do amor. E, estende-se, com muito prazer, até o Domingo à noite. Não que durante a semana todos não estejam com a antena ligada para desfrutar de um lindo e gostoso amor. Tenta relar pra ver o que acontece? Sai faísca; pra não dizer outra coisa. Mas, a questão é: Sexta-feira. Por isso, o que Nelson Rodrigues estaria fazendo se não estivesse na cama? Vou tentar "revisitá-lo", se acreditam, é claro, perguntando: "Nelson, o que você está fazendo?" Num sussurro escuto levemente... " ". Desculpa, Nelson, não escutei. Irritado, mas contendo o timbre de sua voz, para, talvez, não tirar a atenção do que estava concentrado, disparou com a cara fervendo batendo as cinzas do cigarro: "Olha menino. Olha. E, fica quieto. Relaaaxa". Me contive e observei:






Tem pessoas que ficam imaginando o que acontece, durante a madrugada, nas janelas apagadas dos apartamentos. Já diriam outros poetas.

quinta-feira, 6 de janeiro de 2011

Alguns nomes cabíveis a personagens Rodriguianos

Manéco
Bezerra
Claudomiro
Marlene
Janete
Queirós
Isaia
Dalila
Lurdinha
Aderbal
Dorinha
Filadelfo
Cunha
Abigaiu
Carvalinho
Rosinha
Romário
Cecília
Neves
Vadeco
Aristides
Menezes
Padilha
Juca
Peixoto
Agenor
Moema
Leonidas
Olimpio
Durval
Alcides
Atila
Basílio
Odorico
Ubaldo
Virgílio
Zózimo
Adelia
Arlete
Celeste
Clarice
Susete
Rosaura
Quitéria
Quiterio
Perpétua
Noêmia
Mercedes
Judite
Irene
Graça
Dulce
Custódia
Egberto
Zumira
Zoraide
Zenaide

pesquisa por: diogo guermandi

Mini Peça Plus Sábado


A pequena do Grajaú
Autores do enredo: Ana Carolina, Cristiano, Danilo, Diogo e Marcelo
Autor do texto: Diogo Guermandi
Sinopse:
Juca, Basílio, Silas e Odorico são amigos desde a formatura da turma 37 do colégio Pedro II. Os quatro amigos se encontram toda tarde de sexta-feira na sempre disputada sinuca do seu Bezerra. Em uma destas assíduas jogatinas os rapazes descobrem que, coincidentemente, estão se encontrando com a mesma mulher, Graçinha, uma bela e fatal moça do Grajaú. Além disso, todos comentam que a moça pedira, a cada um, que falassem algo muito estranho a ela na intimidade e nenhum tivera coragem. Graçinha reservava um dia da semana para cada um, deixando apenas a sexta-feira livre. Soltando fogo pelas ventas os quatro amigos decidem colocar a bela moça contra a parede, assim ela teria que escolher, definitivamente, apenas um deles. Ela então propõe um trato: aquele que disser o que ela tanto pede ganhará a moça, e dá um dia da semana para cada um ter sua chance.

Personagens:    Juca - Silas – Basílio - Odorico – Bezerra – Gracinha

ATO I
        [Juca e Gracinha no quarto se amassando]
Juca: [ofegante] Nossa pequena você me deixa louco.
Gracinha: [com doçura] Juca, se eu te pedir uma coisa você...
Juca: [interrompe] Eu faço, pode pedir que eu faço princesa.
Gracinha: Se eu te pedir você não pode comentar a ninguém. Você sabe que eu sou muito reservada. Promete que não vai rir?
Juca: [interessado] Prometo. Vamos deixe de rodeios boneca.  
Gracinha: [com doçura] Eu quero que você me fale uma coisa na hora que a gente estiver fazendo...você sabe.
Juca: [interessado] Uma coisa? Que coisa?
Gracinha: Eu quero que você me diga... [diz alguma coisa no ouvido]  
Juca: [assustado se afasta] Carambolas, que isso? Pra que?
Gracinha: É só dizer meu amor. Você disse que era só eu te pedir que fazia.
Juca: [confuso] Não sei, pequena. Não sei não.
Gracinha: Promete que vai pensar então?
Juca: [confuso] Tá, prometo. Agora eu preciso ir. Fica com Deus. [beija-lhe a testa e sai]

ATO II
        [Silas na mesa de sinuca do bar de seu Bezerra treinando, entra Juca]
Silas: Olha quem tá ai. Como é que ta meu amigo?
Juca: [Entusiasmado] E ai Silas, cadê o resto? Tá treinando rapaz? É bom ir treinando mesmo, por que hoje você vai perder de lavada.
Silas: [dando uma tacada] Você sabe como é que o Basílio e o Odorico são lerdos. Mas não vai se gabando não, hoje eu te boto no chinelo.
Juca: [se gabando] To pagando pra ver. [pegando um taco] Do jeito que eu estou com sorte meu amigo, posso jogar com uma mão só que ainda assim ganho de você.
Silas: Opa, vai me dizer que ganhou na loteria? [grita ao dono do bar] Oh Bezerra traz uma cerveja!
Juca: [se gabando] Muito melhor, rapaz! [dando uma tacada] To saindo toda segunda com uma pequena de cair o queixo.
Silas: Olha só, vai contando. [prepara outra tacada]
Juca: [empolgado] Ah preciso te falar meu amigo, desta vez eu me superei. Morena...   
Silas: Hum [da a tacada]
Juca: Seios pequenos..., empinados... [da uma tacada]
Silas: Hum, são os melhores.
Juca: E eu nem te falei dos quadris. Maravilhosa! 
Silas: Bom, mas sorte por sorte estamos empatados. Também arranjei uma tetéia dessas de desmanchar casamento. [da uma tacada, Bezerra entra e traz a cerveja, e sai]
Juca: Esse é o Silas que eu conheço, e qual é o ar de sua graça?
Silas: Ai é que está, esse mesmo.
[chega Basílio cantando o hino do America Futebol Clube]
Basílio: Ei de torcer, torcer, torcer. Ei de torcer até morrer, morrer, morrer, pois a torcida americana é toda assim!... Ah Silas 3x0 heim rapaz, eu te falei que teu Flamengo não é de nada.
Silas: Sorte, vocês tiveram sorte. Agente estava sem zaga, isso sem falar no pênalti que só o cego juiz viu.
Basílio: Que sorte o que rapaz. Fala Juca como vai?
Juca: Melhor que nunca Basílio. [da uma tacada]
Basílio: Falavam de quê?
Silas: [brincando] Mulheres, Basílio. Nenhum assunto de seu interesse. [risada da uma jogada]
Basílio: Só porque eu não fico contando vantagem como o “machão” ai, não quer dizer que eu não goste de mulher.
[chega Odorico]
Odorico: Oi pessoal.
Juca: [todos cumprimentam] Olha quem chegou atrasado, de novo.
Odorico: O que eu perdi?
Silas: [brincando] Basílio ta querendo fazer a gente acreditar que gosta de mulher. [risos]
Odorico: [riso tímido] Poxa, tava mesmo precisando falar com vocês sobre uma coisa.
Silas: [brincando] Vai falar que gosta de mulher também, Odorico? [risos]
Odorico: [preocupado]  É serio gente, to saindo toda quinta a tarde com uma mulher muito bonita, mas to encafifado com uma coisa.
Juca: [empolgado] Olha só rapaz, não é que até o tonto do Odorico tá se dando bem. Falei rapaziada, não tem mulher no mundo que resista aos homens da Turma 37!
Basílio: Colégio Pedro II! [da uma tacada para experimentar] Odorico joga com o Juca, eu e Silas.
Silas: [curioso] Mas conta melhor essa história Odorico, ta mesmo com uma garota, no duro?
Odorico: [preocupado]  To gente, porque o espanto? E o pior é que ela me pediu uma coisa que não sei se tenho coragem de fazer.
Juca: [brincando abraça Odorico] Eh. Tá tímido rapaz, não me diga que ela te pediu pra você dar umas boas bofetadinhas. [dando tapinhas de leve em Odorico]
Odorico: [empurrando Juca] Não! Não é nada disso. A Gracinha me pediu pra dizer uma coisa a ela na hora ‘h’ que não sei se tenho coragem.
Silas: [desconfiado] Gracinha? Esse é o nome dela? De onde ela é?
Odorico: [assustado]  Do Grajaú por que?
Silas: [nervoso, pega Odorico pelo colarinho] Tá saindo com a minha pequena seu!..
Juca: [apaziguando] Para Silas! Deixa o cara. Espera ai Silas, [desconfiado vai para cima de Silas]
Porque você não me disse que sua pequena também se chamava Gracinha.
Silas: [emputecido] Como assim, também?
Basílio: Parem seus idiotas! Não perceberam que moça ta saindo com os quatro ao mesmo tempo?! Um em cada dia da semana?!
Juca: [confuso] Até você Basílio?
Basílio: Pra você ver como essa meretriz está de sarro da nossa cara. Vagabunda! Aposto que foi tara dela sair com os quatro.[muda o tom] Mas...e ai algum de vocês conseguiu dizer?
Juca: [chocho] Bom...eu não tive coragem assim de bate-pronto.
Silas: Nem eu.
Basílio: Pois é, que mulher maluca.
Juca: Pior que a canalha vale a pena. Desgraçada!
Silas: [decidido] Ah mais isso não pode ficar assim. Tô com uma idéia batendo aqui na cachuleta! Vamos colocar essa mulher contra a parede, assim a fulana vai ter que decidir com qual dos quatro vai querer ficar!
Basílio: [interessado] Como você ta pensando em fazer isso?
Silas: [decidido] O Odorico vai marcar de jantar com ela naquele restaurante no Catete.
Odorico: [com receio] Porque eu?
Silas: [decidido] Não discute Odorico! Quando os dois estiverem lá nós três chegamos e damos o flagrante. Dessa ela não escapa!
Juca: Tem certeza que isso vai dar certo, Silas?
Silas: [decidido] Claro! Batata! Dessa ela não vai ter para onde correr. [blackout]

ATO III
Cena I
        [Odorico sentado com Gracinha na mesa do restaurante]
Gracinha: Porque você escolheu esse restaurante amor?
Odorico: [inseguro] ...Porque, o...o baião de dois daqui é uma delícia, você vai ver.
        [Juca, Silas e Basílio entram de supetão e sentam juntos à mesa]
Silas: E agora Gracinha! Não é isso que você queria? Os quatro juntinhos, estamos aqui, vai negar que está saindo com os quatro ao mesmo tempo?
Juca: Ah sua! [se levanta furioso]
Basílio: [segura Juca] Calmo ai Juca. [fala a moça] Que papelão heim Gracinha. Mas a gente vai ser legal com você, né rapaziada? [Todos concordam] Você só vai ter que dizer com qual dos quatro quer ficar.
Silas: Fala mulher, não enrola.
Gracinha: [acuada] Calma, tudo bem eu escolho. Eu vou ficar com aquele que tiver coragem de me dizer o que pedi.
Juca: Que história é essa agora!
Basílio: Como assim?
Gracinha: [acuada] Dou um dia da semana para cada um ter sua chance, quem falar é o escolhido.
Silas: [confiante] Eu topo. Essa eu já ganhei!
Juca: Ganhou o que Silas, essa já é minha rapaz. [blackout]

Cena II
        [Juca no canto direito, Silas no canto esquerdo e Basílio no fundo ao meio congelados, descongelam quando Gracinha toca cada um]
Gracinha: [vai até Juca e o abraça calorosamente] Fala, fala...
Juca: [fraquejando] Não posso...
Gracinha: [vai até Silas e o abraça calorosamente] Fala, fala...
Silas: [fraquejando] Não...
Gracinha: [vai até Basílio e o abraça calorosamente] Fala meu amor, fala...
Basílio: [fraquejando] Me desculpa...
[Os três rapazes saem, Gracinha vai até o meio-frontal, entra Odorico]
Gracinha: [abraça-o calorosamente] Meu amor, você é tão bonzinho.
Odorico: [sem jeito] Eu te amo Gracinha, fica comigo.
Gracinha: [abraça-o calorosamente] Fala que eu fico, fala.
Odorico: [decidido] Tá bom, eu digo. [pausa] Eu quero te matar!
Gracinha: [subitamente] Então mata!
Odorico: [assustado] O que?
Gracinha: [com desejo] Mata! [tira uma pistola de baixo da bolsa e lhe oferece] Vai mata!
Odorico: [assustado] Que isso amor, guarda esta arma.
Gracinha: [com desejo] Ou você me mata ou eu te mato! [aponta a arma para ele]
Odorico: [assustado] Que isso Gracinha, para com essa brincadeira.
Gracinha: [nervosa] Não é brincadeira, Odorico. [engatilha] O que você escolhe? Fala! [blackout]

Cena III
        [Cena final, na sinuca do seu Bezerra, Juca, Silas e Basílio na mesa de sinuca]
Basílio: [incerto] E ai rapazes vocês conseguiram falar? [pausa]  
Juca: [batendo no peito] Claro! Não existe mulher que me dobre, Basílio.
Silas: Eu falei sem hesitar, ela focou toda derretida. E você Basílio, aposto que não conseguiu.
Basílio: [oscilante] Sou homem formado rapaz. [muda o tom] Vocês conseguiram falar com Odorico? Tentei ligar para ele umas três vezes e não atendia.
Juca: Também liguei pra ele e nada.
Silas: [desdenhando] Na certa está com vergonha de aparecer porque não teve coragem de dizer. [risos, neste instante Entra Odorico, sem óculos, em postura esguia, roupa na estica, cabelo brilhando caminhando galanteosamente em câmera lenta abraçado com Gracinha, também espetacular. Vai até os rapazes e fala com uma segurança nunca vista]
Odorico: Olá rapazes. Desculpem meus amigos, mas a sinuca de sexta, agora é só entre eu e a Gracinha.
FIM